Ciência

Ciência e espiritualidade, rivais ou complementares?

January 1, 2021

Grandes nomes da ciência defendem a junção da espiritualidade e ciência


A ciência pode contribuir e ser aliada à espiritualidade, ao conhecimento holístico. Esta afirmação vem sendo reconhecida cada vez mais pela comunidade científica, que entende a importância dessa integração para a mudança social. Neste artigo vou citar alguns exemplos de grandes nomes que não só reconhecem a importância da junção, como utilizam ou utilizaram de seus trabalhos, cada um em suas áreas da ciência, para mostrar o quão importante é trabalharmos ambos.

Marcelo Gleiser, professor de física e o primeiro cientista a ganhar o Prêmio Templeton, o prestigioso prêmio que reconhece indivíduos que fizeram contribuições notáveis em questões de espiritualidade, afirma que a função da ciência não deveria ser a de tirar Deus das pessoas, mas oferecer uma descrição do mundo natural e assim contribuir para aliviar o sofrimento humano, material ou metafísico. Gleiser acredita que só podemos falar sobre a conciliação entre ciência e espiritualidade quando o papel social de cada um ficar claro. Para ele, recusar qualquer uma delas significa ignorar que os seres humanos são seres espirituais e racionais.

David Sloan Wilson, ateu e biólogo norte-americano, ao ser perguntado se num mundo sempre mais explicado pelos olhos da ciência existe espaço para a fé, responde que: “Evolucionismo e espiritualidade não podem mais ocupar lados opostos do pensamento humano. Sempre haverá espaço para a fé,e ela não está necessariamente limitada à religião”.

O diretor do Projeto Genoma Humano, Francis Collins, também vencedor do Prêmio Templeton, edição 2020, afirma que: “a crença em Deus pode ser uma opção completamente racional e que os princípios da fé são, na verdade, complementares aos da ciência”. Para Collins “o domínio da ciência está em explorar a natureza. O domínio de Deus encontra-se no mundo espiritual, um campo que não é possível esquadrinhar com os instrumentos e a linguagem da ciência; deve ser examinado com o coração, com a mente e com a alma – e a mente deve encontrar uma forma de abraçar ambos os campos”.

Já Albert Einstein, um dos maiores cientistas de todos os tempos, encontrou um caminho de acreditar em ambos, algo maior, Deus, fé e Ciência. E chegou à conclusão de que ambos, Deus e ciência devem coexistir. Einstein dizia:

"Quanto mais acredito na ciência, mais acredito em Deus". Einstein

Ele também afirmava: "a ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega". Einstein deixou para trás um rico conjunto de reflexão sobre a "mente" e sobre o "espírito superior", por trás do cosmos, que nunca encontrou seu caminho na consciência popular. Não acreditava em um Deus pessoal, que interferia nas leis da física, mas era fascinado com a ingenuidade dessas leis e manifestou admiração com o próprio fato de sua existência. Ao longo de sua vida, se encantava com tudo aquilo que ainda não podia compreender.

A espiritualidade como parte essencial do ser humano, assim como a racionalidade da ciência, são fundamentais para a construção do mundo que desejamos. Esse mundo é transbordado de amor, ou como concluiu o estudioso Leo Pessini, em seu artigo “A Espiritualidade interpretada pelas ciências e pela saúde”: o investimento tem que ser feito no amor, desde o âmbito individual até o sócio-político, que adquire nome de justiça, equidade e solidariedade no âmbito dos povos. O amor é importante para a saúde humana. A descoberta de Deus se faz nesta direção e não existe evidência maior de Deus do que o amor.

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